ELEIÇÕES 2026 | REPRESENTATIVIDADE FEMININA EM MINAS
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Após mais de três décadas sem mulheres no Senado, Minas Gerais pode voltar a ter voz feminina com Marília Campos e Áurea Carolina na disputa.
Minas Gerais vive a possibilidade de um momento histórico nas eleições de 2026. Desde 1991, quando Júnia Marisa tomou posse como senadora, o estado nunca mais elegeu uma mulher para o Senado Federal. Júnia entrou para a história como a primeira e, até hoje, única mulher a representar Minas Gerais na Casa Alta do Congresso Nacional. Passados mais de 30 anos, o cenário começa a mudar.
A confirmação da pré-candidatura da prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ao Senado reacende o debate sobre a sub-representação feminina na política mineira e a necessidade de ampliar a presença de mulheres nos espaços de poder. Indicada por unanimidade pelo Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do Partido dos Trabalhadores, Marília surge como um dos principais nomes para romper um jejum histórico e recolocar Minas Gerais no mapa da representação feminina no Senado.
Além de Marília, outro nome feminino desponta na disputa: Áurea Carolina, ex-deputada federal e referência nacional na defesa dos direitos humanos, da juventude, da igualdade racial e das mulheres. Caso ambas avancem no processo eleitoral, Minas Gerais poderá, pela primeira vez, eleger duas mulheres para o Senado em uma mesma legislatura, um marco sem precedentes na história política do estado.
Mais de 30 anos sem mulheres no Senado por Minas
A última vez que Minas Gerais teve uma senadora foi no início da década de 1990, com Júnia Marisa, eleita em 1990 e empossada em 1991. Desde então, todas as vagas mineiras no Senado foram ocupadas exclusivamente por homens. O dado reforça um desequilíbrio histórico em um estado que é o segundo maior colégio eleitoral do país e exerce papel central na política nacional.
Especialistas e lideranças políticas avaliam que a ausência feminina no Senado não reflete a realidade da sociedade mineira, onde as mulheres são maioria da população e têm papel fundamental na economia, na educação, na saúde e na organização social.
Nesse contexto, a candidatura de Marília Campos ganha dimensão simbólica e política.
“Eu quero ser uma representante de Minas Gerais no Senado. Uma porta-voz feminina, que fale das demandas das mulheres, mas também dos homens, das famílias e dos trabalhadores do nosso estado”, afirmou Marília.
Marília Campos e a força da trajetória política
Prefeita de Contagem, uma das maiores cidades de Minas Gerais, Marília Campos construiu sua carreira política com forte atuação na área social, na gestão pública e no diálogo com a população. Sua pré-candidatura é vista dentro do PT como estratégica para fortalecer a presença do partido no Senado e, ao mesmo tempo, ampliar a representatividade feminina.
Para disputar o cargo, a legislação eleitoral exige que Marília renuncie ao mandato de prefeita até 4 de abril. Ela afirma que a decisão será tomada de forma pactuada, garantindo a continuidade administrativa no município.
“Quero fazer isso com diálogo, com responsabilidade, para que Contagem continue avançando”, disse.
Uma pauta feminina que atravessa gerações
A possibilidade de Minas Gerais eleger mulheres para o Senado reacende um debate antigo, mas ainda atual: a necessidade de mais mulheres nos cargos de comando político. Apesar dos avanços, a presença feminina nos espaços de poder segue muito abaixo da representatividade social.
A candidatura de Marília Campos e a presença de Áurea Carolina na disputa colocam em evidência uma pauta que ultrapassa partidos e ideologias: a ampliação da participação feminina na política institucional.
Para Marília, ocupar o Senado significa levar uma nova perspectiva às decisões nacionais.
“Quando uma mulher ocupa um espaço como o Senado, ela leva consigo uma experiência de vida, um olhar social e uma sensibilidade que são fundamentais para a construção de políticas públicas mais justas”, afirmou.
Possibilidade histórica em 2026
Caso Marília Campos e Áurea Carolina sejam eleitas, Minas Gerais poderá viver um cenário inédito, com duas mulheres ocupando as cadeiras do Senado Federal. O fato representaria não apenas uma ruptura com um histórico de exclusão, mas também um avanço simbólico para mulheres mineiras de diferentes regiões, idades e realidades sociais.
Após mais de três décadas desde Júnia Marisa, o estado pode, enfim, voltar a ter voz feminina ativa no Senado, refletindo melhor a diversidade e a força das mulheres de Minas Gerais.
Áurea Carolina destaca união feminina e apoio à pré-candidatura de Marília Campos
A ex-deputada federal Áurea Carolina também se manifestou publicamente sobre a pré-candidatura de Marília Campos ao Senado, ressaltando a importância da união entre mulheres na política mineira e a possibilidade histórica de Minas Gerais eleger duas senadoras progressistas em 2026.
“Acabei de dizer para a querida Marília Campos o quanto me deixa feliz a confirmação de sua pré-candidatura ao Senado pelo PT de Minas Gerais. Marília é uma grande liderança, reconhecida por sua competência e seriedade. Ela tem força e credibilidade para representar Minas Gerais”, afirmou Áurea.
Segundo a ex-parlamentar, a construção política em torno das duas lideranças femininas representa um momento de esperança e renovação para o estado.
“Vivemos um ano em que teremos a chance de escolher duas candidaturas para o Senado. A união de mulheres de luta é poderosa, e acredito que essa mensagem pode tocar o coração e reacender a esperança das mineiras e dos mineiros”, destacou.
Áurea Carolina reforçou ainda a importância de ampliar a presença feminina nos espaços de decisão nacional, defendendo que a política brasileira precisa refletir com mais fidelidade a diversidade da sociedade.
“Confio na força dessa caminhada coletiva e na construção de um futuro em que mulheres progressistas ocupem, juntas, espaços estratégicos da política”, concluiu.
A eleição de 2026, nesse sentido, não se apresenta apenas como uma disputa política, mas como um marco de representatividade, memória histórica e renovação democrática.


