“Alienígenas do baile” leva a Pampulha para o universo da ficção especulativa no MUnA

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Exposição do duo Lâmina reúne esculturas, vídeos, fotografias e instalações que revisitam o modernismo, a arquitetura de Oscar Niemeyer e a paisagem da Pampulha por meio da tecnologia, da crítica política e da imaginação. Visitação é gratuita até 2 de outubro, em Uberlândia.

O Museu Universitário de Arte (MUnA), em Uberlândia, recebe a exposição “Alienígenas do baile”, mostra individual do duo Lâmina, formado pelas pessoas artistas Gabriela De Laurentiis e João Mascaro, com curadoria de Marina Frúgoli. A exposição apresenta obras que transitam entre esculturas, vídeos, fotografias e instalações e propõe um olhar diferente para as dimensões visuais, arquitetônicas e políticas do Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte.

Em cartaz até 2 de outubro, a mostra tem entrada gratuita e convida o público a percorrer um universo em que arquitetura, natureza, tecnologia e ficção se misturam. A partir de elementos reconhecíveis da Pampulha, os artistas criam situações que provocam estranhamento e estimulam novas interpretações sobre um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos do modernismo brasileiro.

A exposição dá continuidade a uma pesquisa artística desenvolvida pelo Lâmina há mais de uma década. O trabalho do duo combina procedimentos documentais com experimentações analógicas e digitais, explorando diferentes maneiras de registrar, reproduzir, transformar e traduzir imagens.

Parte importante das obras apresentadas foi desenvolvida durante uma residência artística realizada pelos artistas em 2023, no Espai, ateliê e espaço autônomo de Belo Horizonte dirigido pelos artistas Nydia Negromonte e Marcelo Drummond. O conjunto também conta com trabalhos inéditos produzidos especialmente para a exposição no MUnA.

Modernismo encontra tecnologia e “gambiarra”

Entre as técnicas utilizadas pelo duo estão escaneamento tridimensional, impressão 3D, stencil, inteligência artificial e procedimentos artesanais, além da tradicional “gambiarra”. A combinação desses recursos cria uma linguagem que aproxima passado e futuro e coloca em discussão diferentes aspectos do projeto modernista.

Nas obras, o glamour associado à arquitetura modernista convive com sinais de desgaste, transformação e decadência. O universo idealizado por Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek é colocado em contato com elementos da vida cotidiana e da fauna presente na região da Pampulha, como pássaros, peixes, cachorros e jacarés.

O resultado é uma exposição que alterna momentos de humor, estranhamento e crítica, levando o visitante a observar a paisagem conhecida sob uma perspectiva completamente diferente.

Uma viagem para as profundezas da Lagoa da Pampulha

O centro sensorial e simbólico da mostra é a videoinstalação “Alienígenas do baile”, que também dá nome à exposição. A obra utiliza som e imagem para construir uma experiência imersiva inspirada nas profundezas da Lagoa da Pampulha.

Nesse ambiente ficcional, o público é convidado a imaginar uma lagoa habitada por peixes alienígenas, criando uma paisagem que mistura elementos reais e fantásticos. A proposta amplia a experiência da exposição e transforma o espaço do museu em um território de fabulação.

A obra reforça uma das principais características da pesquisa do Lâmina: utilizar diferentes linguagens e tecnologias para deslocar imagens e referências conhecidas, permitindo que elas sejam vistas e interpretadas de novas maneiras.

Para a curadora Marina Frúgoli, a diversidade de materiais e escalas é uma das características mais marcantes da produção de Gabriela De Laurentiis e João Mascaro. Segundo ela, o trabalho do duo transita livremente entre diferentes suportes, indo da fotografia instantânea ao cartaz de outdoor, do objeto à paisagem sonora.

Essa liberdade também permite que a dimensão crítica e política das obras seja apresentada ao público por meio de experiências sensoriais, abrindo espaço para diferentes interpretações e possibilidades de imaginação.

Pampulha sob um novo olhar

Ao combinar documentação, tecnologia e fantasia, “Alienígenas do baile” propõe uma nova maneira de observar a Pampulha. O conjunto arquitetônico deixa de ser apenas um cartão-postal ou símbolo do modernismo brasileiro e passa a funcionar como ponto de partida para questionamentos sobre memória, natureza, tecnologia, política e transformação.

A exposição também mostra como a arte contemporânea pode utilizar ferramentas tecnológicas e procedimentos experimentais para revisitar referências históricas e culturais, criando novas narrativas a partir de lugares já conhecidos.

Com entrada gratuita, a mostra permanece aberta à visitação no MUnA até 2 de outubro.

Encerramento

O encerramento da exposição acontece no dia 2 de outubro, às 19h, com uma conversa entre os artistas Gabriela De Laurentiis e João Mascaro e a curadora Marina Frúgoli.

SERVIÇO

Exposição: “Alienígenas do baile” — Lâmina (Gabriela De Laurentiis e João Mascaro)
Curadoria: Marina Frúgoli
Local: MUnA — Museu Universitário de Arte
Endereço: Praça Cícero Macedo, 309, bairro Fundinho, Uberlândia/MG
Visitação: até 2 de outubro
Horários: terça a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados e domingos, das 13h às 17h
Entrada: gratuita
Encerramento: 2 de outubro, às 19h, com conversa com os artistas e a curadora

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Fotos: Divulgação

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